Índice CEAGESP acumula queda de 0,4% no semestre
Nos primeiros seis meses deste ano, o ÍNDICE CEAGESP permaneceu praticamente estável, com oscilação negativa de apenas 0,04%. Em junho, teve ligeira elevação de 0,08%, puxada pelos aumentos de 13,29% no setor de Pescados e de 0,59% no de Frutas. “A tendência para este mês de julho é de estabilidade no índice global”, aponta o economista da CEAGESP, Flávio Godas.
Ao longo do semestre, os meses de janeiro e fevereiro foram marcados por fortes altas em praticamente todos os setores, em razão, principalmente, das adversidades climáticas (excesso de chuvas e altas temperaturas). A partir de março, com o clima favorável, o ÍNDICE iniciou trajetória de quedas crescentes e consecutivas, com retração nos preços de vários setores, interrompidas no mês passado. O ÍNDICE, que mede a variação dos preços no atacado dos principais produtos comercializados na CEAGESP, acumula elevação de elevação de 7,43% nos últimos 12 meses.
O setor de Verduras foi o mais prejudicado pelo clima desfavorável para o cultivo das hortaliças no primeiro bimestre. Como no período ainda havia aumento da demanda, o setor registrou em fevereiro a maior elevação do ÍNDICE: 33,19%. Mas, a partir de março, o setor começou a recuar, encerrando o semestre com queda acumulada de 31,65%, praticamente neutralizando as altas registradas no início do período.
O setor de Legumes também registrou fortes altas em fevereiro e março, mas fechou os seis primeiros meses com retração de 8,84%. Produtos importantes do setor tiveram redução do volume ofertado. Devido às chuvas em Santa Catarina e região Sudeste, os preços do tomate, por exemplo, que normalmente giram entre R$ 1,20 a R$ 1,50 o kg, subiram 233%, chegando a R$ 5,00 o kg no atacado. Hoje, voltaram aos patamares normais.
O setor de frutas também acumula elevação de 7,08% no semestre, impulsionado, principalmente, pela alta de preços da laranja - produto com grande representatividade no ÍNDICE – com período de entressafra até o final de abril. A alta na cotação do suco de laranja nos mercados internacionais contribui para as compras da indústria. A tendência, mesmo em plena safra, é de preços estáveis.
Outro setor que encerra o semestre em alta é o de Diversos, com 9,15%. A pressão é reflexo da menor oferta, em razão das chuvas na região Sul e também na Argentina. Com isso, os preços da batata e da cebola, principais produtos do setor, permanecem em alta. “As chuvas ocorreram basicamente no primeiro trimestre, porém, comprometeram a oferta de todo o semestre”, avalia Godas.
Por outro lado, o setor de Pescados, mesmo com a alta de 13,29% em junho, fecha o semestre com queda acumulada de 1,29%.
De acordo com o economista da CEAGESP, atualmente, mais de 80% dos produtos são opções de compra. “Esta é uma excelente época para o consumidor, pois o clima (temperaturas amenas e pouca chuva) favorece, principalmente legumes e verduras, que já registram preços próximos aos custos de produção e não devem cair mais”, ressalta Godas.
“O setor de Diversos ainda deve permanecer em queda, em razão da expectativa de recuo dos preços da batata”,avalia o economista. Segundo ele, o setor de Pescados deve apresentar ligeira retração em razão do menor consumo nesta época do ano, e o de Frutas, estabilidade. “No inverno, o desenvolvimento e a maturação ocorrem mais lentamente para boa parte dos produtos do setor”, explica Godas. “Nas frutas, além do clima, o aspecto sazonalidade também é fundamental na composição da oferta e preço”, conclui.
Índice CEAGESP de Junho
Em junho, limão (31,88%), mamão papaya (22,56%) e goiaba (9,38%) foram as frutas que tiveram alta nos preços. Já o morango (34,54%), maracujá azedo (-22,56%), caju (-16,69%) e figo (-8,21%) foram as principais quedas. No setor de Pescado, as altas foram da pescada (32,10%), do robalo (21,54%), do cação (13,03%) e da tilápia (5,7%).
Os setores de Diversos (14,30%), de Verduras (13,77%) e de Legumes (5,56%) mantiveram as baixas nos preços no mês de junho. O recuo do setor de Diversos foi impulsionado principalmente pela queda no valor da batata - batata comum (31,93%) e batata lisa (29,64%). Já o setor de Verduras permaneceu em queda acentuada, devido à baixa nos preços do repolho (-33,74%), almeirão (-25,7%), agrião (-21,75%), espinafre (-26,25%). E o setor de Legumes, as maiores quedas foram na beterraba (-22,64%), na cenoura (-18,78%) e no tomate (-23,8%).
Primeiro balizador de preços de alimentos frescos no mercado, o ÍNDICE CEAGESP é um indicador de variação de preços no atacado de Frutas, Legumes, Verduras, Pescado e Diversos. Divulgado mensalmente, os itens da cesta foram escolhidos pela importância dentro de cada setor e ponderados de acordo com a sua representatividade. O ÍNDICE foi lançado em 2009 pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, que é referência nacional em abastecimento.