Rubens Boffino assume a presidência da CEAGESP
“Hoje os alimentos, especialmente os preços do arroz e do trigo, são apontados pelas entidades internacionais como os grandes vilões da economia no mundo. Vamos entrar nesse debate. A CEAGESP é referência de preço dos produtos hortícolas e é respeitada por isso. Vamos colaborar na organização de informações para compor os indicadores e para que as lideranças governamentais identifiquem o cenário real com relação à oferta e à procura dos alimentos. Queremos que a cadeia de produção de alimentos frescos cresça, oferecendo produtos baratos e de qualidade”.
As palavras do novo presidente da CEAGESP, Rubens Boffino, durante a cerimônia de sua posse, sinalizaram para a linha de trabalho que ele pretende imprimir à sua gestão. “Não quero fazer nada sozinho. Quero trabalhar com a União, com o Estado e com os Municípios. Vamos estar sempre juntos com os permissionários, com as associações e com os sindicatos dos diversos segmentos do abastecimento de alimentos. Como uma comunidade organizada, buscaremos os fóruns nacionais e internacionais, debatendo problemas e buscando soluções” – ressaltou.
Rubens Boffino falou da sua disposição de trabalhar muito, definindo metas, prazos e responsabilidades. “Aceitei o desafio de presidir a CEAGESP porque, mesmo sabendo dos seus problemas, acredito na pujança e na capacidade de recuperação dessa empresa” – concluiu, prometendo fazer uma gestão enxuta, austera, econômica e focando sempre na qualidade e no profissionalismo.
A CEAGESP e a capital: um caso de sucesso em discussão (setembro 2007)
Estudo de Localização da CEAGESP na Região Metropolitana foi um dos quatro casos de sucesso apresentado nos dias 22 e 23 de agosto, em São Paulo, durante o 3º Seminário de Transporte Urbano de Carga, evento organizado pela Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), com apoio da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A exposição do trabalho - desenvolvido pelo Departamento de Engenharia de Transporte da Escola Politécnica da USP - pelo professor Nicolau Fares Gualda, com a contribuição do presidente da CEAGESP, Francisco Cajueiro, despertou interesse dos participantes do evento. Marcaram presença representantes de órgãos públicos e dos diversos segmentos que dependem do transporte urbano de cargas para desenvolver suas atividades.
O trabalho, que identificou três alternativas de localização para o entreposto, concluiu que os responsáveis pela administração e os comerciantes atacadistas de produtos hortícolas preferem a manutenção no Entreposto da Vila Leopoldina. Para os clientes, representados pela Associação Paulista de Supermercados, a melhor alternativa é a mudança do Entreposto para uma nova instalação na região do Rodoanel. E surgiu ainda a hipótese da descentralização do Entreposto, com uma nova unidade na zona leste. Os favoráveis à permanência do Entreposto no local atual concordam, porém, sobre a necessidade da remodelação das instalações para ter atendimento com qualidade e nível de serviços adequados.
O presidente Francisco Cajueiro defendeu no encontro a permanência do Entreposto na Vila Leopoldina. É onde se concentra o mix de produtos que atendem as necessidades de seus clientes e fixam o ETPS como o espelho nacional na comercialização da cadeia. Como alternativa para racionalizar a utilização do espaço e diminuir a entrada e saída de veículos no Entreposto, porém, apresentou a proposta de criação de uma plataforma logística na região do Rodoanel. “O objetivo é atender os comerciantes do Entreposto e outros compradores (especialmente supermercados) dos produtos que geram maior fluxo de cargas, como laranja, tomate, batata, mamão, maçã, tangerina, pêra, melancia, cenoura e cebola”.
Segundo Cajueiro, este espaço de separação e carregamento pode reduzir custos para todos os envolvidos; permitir a adequação qualitária de produtos e diminuir o tempo de permanência dos veículos de carga no Entreposto. Em conseqüência, o maior volume físico dos caminhões de grande porte deverá permanecer no Rodoanel e, com isso, tirar todos esses caminhões do trânsito urbano. Ao mesmo tempo, a área que abrigará a plataforma reservará um espaço para os produtos processados, uma nova demanda do mercado,.
“È preciso lembrar que a distância entre o ETSP e o Rodoanel é insignificante para justificar a mudança de todo o Entreposto. Uma plataforma localizada nesta região, porém, administrado por um comitê gestor - composto por setores da CEAGESP, supermercados, comerciantes atacadistas, Prefeitura e associações representativas dos diversos segmentos do abastecimento de hortícolas - ajudaria a racionalizar o transporte de cargas. Estudos técnicos realizados recentemente indicam que 80% dos volumes de mercadorias chegam à capital pelas Rodovias Raposo Tavares, Castelo Branco, complexo Anhanguera/Bandeirantes e Regis Bittencourt. E a idéia é acompanhar o fluxo de recebimento das mercadorias que abastecem São Paulo".
Com relação às atuais condições do Entreposto da Vila Leopoldina, Cajueiro reconhece que a falta de tecnologia e infra estrutura adequada dificulta logisticamente a circulação de veículos de carga no mercado. Aplicada à comercialização, essa tecnologia racionalizaria o uso do espaço. “As instalações atuais estão muito longe de atender a logística operacional de movimentação de entradas e saídas. Por isso, a construção de uma plataforma no Rodoanel não elimina a necessidade de se implantar um projeto de revitalização do ETSP”.
Ao concluir sua proposta, alerta para o fato de que o caso do entreposto da capital merece atenção especial. “Inserida na maior rede comercial brasileira do agronegócio, a CEAGESP reúne todas as condições para contribuir com a modernização do sistema, pela especialização do conhecimento, a melhoria qualitativa via padronização de produtos e a organização da atividade, em benefício do interesse coletivo”. E completou: “falta resolver o urgente e ir para o prático. É preciso discutir estratégias e fazer um planejamento. Para isso, contamos com a verdadeira força que faz o mercado, composta por atacadistas, supermercados, redes de distribuição, enfim, menos Governo e mais empresários.”
Governo de SP reconhece sua responsabilidade (agosto de 2007)
Quando a CEAGESP foi federalizada, em maio de 1997, o contrato de compra de venda de Ações do Capital Social da empresa deixava bem claro as obrigações do Governo do Estado: como vendedor, manteria a responsabilidade pelo pagamento de complementação de aposentadorias e pensões da parcela de funcionários com direito a este benefício - incluídos na lei estadual de abril de 1994 - e assumiria qualquer passivo anterior à data da assinatura do contrato .
Somente agora, porém, depois de 10 anos e de R$ 25 milhões de arrestos financeiros dos cofres da CEAGESP para liquidar ações trabalhistas, o Governo de São Paulo reconhece sua responsabilidade. E propõe que as negociações para tratar do assunto do reembolso do Passivo Trabalhista sejam feitas diretamente com o Governo Federal, o comprador.
Tudo isto se conclui do parecer 52/2007 da Procuradoria Geral do Estado e é resultado de uma ação objetiva de articulação realizada pela gestão da Diretoria que assumiu, há dois anos, a administração da Companhia.
Ao tomar conhecimento da situação pela diretoria da CEAGESP, o Ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes encaminhou imediatamente ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedido da CEAGESP de aporte de recursos financeiros do Tesouro Nacional, como antecipação dos R$ 25 milhões já desembolsados. Este valor será ressarcido pelo Estado de São Paulo, como parte do refinanciamento da sua dívida com a União.
Finalmente, os poderes públicos tomaram conhecimento da necessidade de se tomar providências para reverter uma crise, provocada pelos bloqueios judiciais efetuados nas contas correntes da empresa, que impede a realização de investimentos estruturais e tecnológicos. Só em 2007, R$ 3.812 milhões da receita da Companhia foram desviados para pagamentos de dívidas trabalhistas. Assim, as atividades fluem mais lentamente, a modernização não acontece e fica difícil ampliar a rentabilidade. Agora, a CEAGESP esperar que a solução proposta seja atendida.
Dívidas zeradas, contratos auditados, obras em andamento
Sem dívidas com fornecedores e livre de empréstimos, a CEAGESP mantém sua gestão financeira sob controle. A empresa, que vive da receita decorrente das suas atividades, depende de um fluxo de caixa sazonal, com receitas na primeira quinzena e seus pagamentos ao longo do mês. Esta situação de equilíbrio altera-se, porém, nos momentos dos arrestos promovidos pela justiça para pagamento de ações trabalhistas. Apesar disso, as obras de manutenção e revitalização acontecem nos diversos setores do entreposto da capital.
No pescado, os recursos liberados pela Secretaria Especial da Pesca garantem o andamento da primeira etapa dos trabalhos de modernização. As obras deverão ser entregues até abril de 2008, quando aumenta o volume de comercialização em conseqüência da procura do consumidor pelo pescado para a Semana Santa. A impermeabilização do pavilhão MLP (comercialização de flores, verduras e Varejões dos finais de semana) segue em fase de conclusão e está prevista para outubro a entrada em operação das novas portarias.
É importante salientar que os contratos de obras, como os demais geridos pelas diversas áreas da Companhia, são auditados freqüentemente pelos órgãos oficiais (Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União). E todos esses documentos estão disponíveis ao público. Tanto que já passaram por auditoria de empresas especializadas, contratadas por entidades representativas dos permissionários da CEAGESP.