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A banana no subtropico e o Simpósio de bananicultura no Cone Sul de Joinville

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Por Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida* – 07/04/10

A bananeira é a fruteira mais cultivada do mundo, a banana é a fruta mais presente no mercado internacional e uma das principais fontes de alimentação de uma parte da humanidade. A produção mundial de bananas em 2008 foi de 91 milhões de toneladas (FAO). O Brasil é quarto maior produtor, com mais de 7 milhões de toneladas, perdendo apenas para Índia, Filipinas e China.

A bananeira é descrita pela literatura técnica como uma planta tropical, com temperatura ideal de crescimento entre 26 e 27ºC. Praticamente toda a atividade fisiológica de crescimento da banana é interrompida abaixo de 15o C. Acima de 35ºC ela apresenta problemas no seu metabolismo como o fechamento dos estômatos, o que interrompe o mecanismo natural de arrefecimento e de transporte de água da planta. Um fenômeno conhecido como chilling acontece quando a temperatura fica abaixo dos 12ºC por algumas horas e resulta no escurecimento da casca dos frutos e diminuição da sua aceitação comercial. Abaixo dos 4ºC os problemas se tornam bem mais sérios: amarelecimento das folhas e morte da parte aérea (perda de um ciclo) ou de toda a planta. O frio também traz problemas ao desenvolvimento dos cachos, que ficam “engasgados” entre as folhas da bananeira. Há grande diferença na tolerância ao frio entre os diferentes grupos varietais de bananeira: as do grupo Prata são muito mais resistentes que as do grupo Cavendish ao qual pertence a Nanica.

Curiosamente, boa parte da produção brasileira de bananas se dá sob clima subtropical de verões quentes e não sob clima tropical. Este tipo de clima caracteriza-se por uma média anual inferior a 21º,C com uma amplitude para cima ou para baixo entre 9 e 13ºC, e temperatura média dos meses mais quentes superior a 22ºC e inferior a 18ºC no mês mais frio, com ocorrência esporádica de geadas. A quantidade de chuva está entre 1.000 e 2.000 mm anuais bem distribuídos. A zona subtropical do hemisfério sul fica logo abaixo do Trópico de Capricórnio, entre os paralelos 23º27'30'' e 35º, justamente onde fica a região metropolitana de São Paulo. O clima de algumas regiões na zona tropical é semelhante em virtude da altitude.

O estado maior produtor de banana é a Bahia e o segundo e o terceiro produtor, São Paulo e Santa Catarina, produzem em condições subtropicais. O Paraná é o nono produtor e o Rio Grande do Sul é o décimo terceiro. Algumas regiões brasileiras localizadas em estados mais quentes, como é o caso do Norte de Minas Gerais, produzem em regiões altas sob clima subtropical, pelo efeito da altitude.

A produção nos subtrópico quente de Minas Gerais, São Paulo e dos estados da Região Sul apresentam vantagens e desvantagens.  

      • O seu inverno mais ameno exige maior tempo a formação do cacho, por volta de 12 a 14 meses contra 9 ou 10 meses das regiões tropicai
      • As temperaturas mais frias causam problemas como o escurecimento da casca dos frutos, engasgamento dos cachos e eventualmente perdas por geadas, inundações e ventos
      • A boa e bem distribuída precipitação tornam dispensáveis o uso de irrigação, o que diminui bastante o custo de produção
      • O desenvolvimento mais lento e as temperaturas noturnas mais amenas levam à produção de bananas com maior acúmulo de açúcar e compostos aromáticos, mais saborosa, de melhor rendimento industrial e coloração da polpa e da casca mais intensa
      • As doenças fúngicas, entre elas os temíveis Males de Sigatoka Negra e Amarela, são até agora bem menos agressivas em condições subtropicais e o uso de agrotóxicos é bem menor que nos trópicos
      • A sua localização muito próxima aos grandes centros consumidores diminuindo o custo de transporte. Quase toda esta produção acontece na faixa litorânea dos estados de São Paulo (Vale do Ribeira), Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A área de bananais subtrópicos brasileiros passa dos 120 mil hectares e a sua importância social e econômica é inquestionável.

      • É o produto mais importante do Vale do Ribeira (São Paulo e Paraná) e do Litoral Norte de Santa Catarina.
      • Permite a sobrevivência digna do agricultor familiar. A agricultura familiar, baseada na bananicultura em Santa Catarina, é um grande exemplo. O alto grau de tecnificação e organização dos produtores garante uma produção ambientalmente correta, sustentabilidade econômica e um bom padrão de vida cultivando áreas pequenas e no geral bem declivosas. As tecnologias desenvolvidas pelos órgãos de pesquisa estaduais (EPAGRI de SC, IAPAR do PR, APTA de SP e EPAMIG de MG) destes estados são fundamentais no sucesso desta exploração.

Alguns dos nossos vizinhos do Cone Sul da América do Sul produzem bananas sob condições semelhantes, como os argentinos das províncias de Formosa, Salta e Jujuy e algumas regiões do Paraguai. A Rede de Pesquisa em Banana nos Subtrópicos do Cone Sul, MusaSul ou MusaSur tem como objetivo a colaboração na pesquisa e o intercâmbio de dados e experiências entre os países do Mercosul. A rede conta com pesquisadores da EPAGRI, IAPAR, APTA, EPAMIG, INTA da Argentina, do Ministério da Agricultura do Paraguai e da CEAGESP.

O I Simpósio sobre a Cultura da Bananeira nos Subtrópicos do Cone Sul, realizado nos últimos dias 18 e 19 de março de 2010 em Joinville, teve como objetivo discutir a produção de banana no subtrópico, contou com a participação de técnicos gaúchos, catarinenses, paranaenses, paulistas e mineiros e de muitos produtores. Cada região apresentou as suas características de produção e foram realizadas palestras e debates sobre o controle de doenças, a propagação de banana e os mercados.

O evento se repetirá a cada dois anos, como realização da MusaSul, a Rede de Pesquisa em Banana nos Subtrópicos do Cone Sul.

(*)Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida é engenheiro agrônomo do Centro de Qualidade em Horticultura, da Companhia de Entrepostos e de Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP).

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Last modified 12/04/2010 10:08